28
Jul 10

"If music be the food of love, sing on ! Sing on till I'm filled, I'm filled with joy !"

H. Purcell

 

Criamos expectativas desde o momento em que nascemos. Ao longo do nosso crescimento, acompanhando o nosso desenvolvimento (desprezemos a sua rapidez, de forma a generalizar a exposição), essa expectativa continua crescendo de forma imparável, até que atinge um ponto alto e passa de pequeno sonho a completa imposição.

E assim, bem miúdos, ainda, decidem tornar-nos advogados, médicos ou qualquer tipo de profissão que ... bem, que seja socialmente bonita.

 

Mas falamos disto como se nos quisessem mal ... Se pensamos assim, estamos COMPLETAMENTE ERRADOS ! No fundo, o que querem é o nosso melhor. Analisam a sua vida e comparam-na com o nosso potencial: E assim olham-nos como a esperança de concretização dos seus sonhos profissionais, esperando que tenhamos uma qualidade de vida superior à deles.

Eu compreendo-os. No entanto, esquecem-se de um factor muito importante: Todos nós somos diferentes, daí, todos nós sonhamos diferente. Sabemos bem que os médicos são benfeitores, os advogados têm o dom da palavra, os engenheiros são muito inteligentes .. e que todos estes são muito bem pagos (é melhor incluirmos também a profissão CR7 na lista destas ultimas, em termos de bom pagamento) mas será o dinheiro o único caminho para uma excelente qualidade de vida ?

 

Não me parece ..

Então como atingir o El Dorado da satisfação humana sem consumismo?

 

Eu cá sou defensora da realização pessoal! Sonhamos ser artistas. Mas isso não dá dinheiro .. depois não podemos viajar sempre. MAS QUEM DISSE QUE ERA ASSIM ? Porque não nos esforçarmos verdadeiramente naquilo que gostamos e nos superarmos (superando outros) e criarmos o nosso próprio caminho ? Porque não nos tornamos os melhores ? Ah, e se pudermos fazer isso acompanhados das pessoas que amamos, ainda melhor !

É que, não é preferível viver "debaixo da ponte" durante 3 anos de insucesso do que ir morrendo durante 40 anos de insatisfação ?

 

Basta vivermos os nossos próprios sonhos para mostrarmos àqueles que, por nos amarem, um dia sonharam demasiado que o nosso caminho, desde que bem construido, pode levar-nos a nossa própria realização social, emocional e profissional.

 

 

publicado por mafaa às 12:10
música: Bang Bang Bang - Mark Ronson & The Business INTL

05
Abr 10

Bem, devido ao aparecimento de alguns comentários inesperados (obrigada amigos e "admirador secreto" !) acho que devo aos meus queridos seguidores uma resposta as suas questões e sugestões.

 

Todos vocês foram unânimes: Precisamos tanto de palavras como de coisas por serem ambas absurdamente essenciais.

É verdade que precisamos delas, mas não será o facto de estamos demasiado habituados que nos faz julgar dependentes das palavras? E não serão estas fruto da "vocalização" dos gestos?

Reconheço que as palavras, nos livros, conseguem transportar-nos para mundos fantásticos .. mas não consegue um sorriso de alguém que gostamos fazer-nos sonhar durante dias e imaginar uma infinidade de situações e futuros ?

 

TE, (não posso deixar de te dizer isto) não é preciso ser-se filósofo para se pensar ou se dizer o que se sente.

Não é preciso dizerem-te que te amam para seres amado ;).

 

Um abraço amigo gigante para os grandes amigos que ainda dão importância ao meu espacinho !

publicado por mafaa às 22:13
música: Love me two times - Doors

06
Mar 10

 "Tudo isto são coisas, coisas que nós podemos amar. Mas não posso amar palavras. É por isso que não aprecio as doutrinas, não têm dureza ou moleza, não têm arestas, não têm cheiro, nada têm senão palavras"

Hermann Hesse, "Siddhartha, um poema indiano"

 

Embora não tivesse publicado de imediato a minha história sobre "coisas" e "palavras", devo dizer que pensei muito no assunto - Então como conseguirei passar um dia assim, despojada de tudo e mais alguma coisa?

Mas mesmo antes de começar, decidi que talvez nem fosse assim tão mau perguntar a umas quantas pessoas o que achavam sobre isto. Umas aceitaram a pergunta, outras não (a resposta era quase sempre a mesma: "são mesmo assuntos para ti...") mas mesmo assim ainda tive alguns resultados:

"Coisa é algo que tem características. Por exemplo, um telemóvel é uma coisa, tem as suas características próprias que o definem. "Coisa" não é algo concreto porque não existe UMA coisa !

Palavra? Oh, uma palavra é algo que utilizamos para criar frases, para podermos comunicar... As palavras são algo essencial para o ser humano, porque ele precisa de comunicar."

Vem me a parecer que afinal não estava tão enganada quanto isso.

Foi um dia diferente, esse de viver no mundo à parte. De início, o silêncio é reconfortante e o desafio parece não ser nada de complicado. Estamos sozinhos, longe das pessoas, afinal não há nada de diferente na manhã ... Acordamos assim todos os dias. Fazemos o caminho de todos os dias: Não há nada. Não há pessoas, não há o vizinho do quinto esquerdo nem as flores da loja ao pé da padaria. O café a nada sabe e os carros não têm ocupantes. Não há jornais nem folhas no chão ... Não há cor, não há luz. Nada há para além do nada.

Se nada existe, significará então que TUDO são coisas. E se tudo o que temos (gente incluida) desapareceu nesta ginástica mental de ausentar "coisas", será que nós próprios existiremos neste mundo de coisa nenhuma ?

Assustei-me, e nem cinco minutos aguentei nesta ausência de sentidos. 

Segui o meu caminho e continuei o meu dia (felizmente levantei-me mais tarde que o costume). Agora, tendo todas as "coisas" de volta, recuperando os meus sentidos, experimentei, a medo, viver sem palavras: Não ouço, não falo, não escrevo.

Levanto o braço e digo olá à senhora da mercearia que passa, ela acenou-me de volta. Ao almoço, sorrio enquanto como uma boa pratada de massa, a minha avó entendeu e correu à cozinha para me buscar mais um prato. Sigo caminho, vejo-o, sorrio-lhe, abraço-o, e ele entendeu que quero passar o resto da minha vida ao lado dele.

Mantenho a surdo-mudez propositada. Não me sinto mal.

Eles usam palavras, eu estou num mundo a parte. Faço-lhes gestos, eles entendem.

Não preciso de palavras,"não têm cores, não têm cheiro, não têm gosto, nada têm senão palavras" !

 

Assumo então que, depois desta aventura, sou totalmente dependente das MINHAS "coisas". Mas palavras .. não são absolutamente necessárias.

Um dia, se calhar, escrevo um blog só com gestos. 

publicado por mafaa às 16:03
música: Extravagante - Jorge Cruz

23
Fev 10

"Tudo isto são coisas, coisas que nós podemos amar. Mas não posso amar palavras. É por isso que não aprecio as doutrinas, não têm dureza ou moleza, não têm cores, não têm arestas, não têm cheiro, não têm gosto, nada têm senão palavras. Talvez seja isto que te impede de alcançares a paz, talvez sejam as palavras em excesso. Porque também libertação e virtude, também Samsara e Nirvana são meras palavras. Nada existe que seja o Nirvana; apenas existe a palavra "Nirvana".

Hermann Hesse, "Siddhartha, um poema indiano"

 

Pensemos no que nos rodeia.

Vivemos rodeados de coisas: Coisas que gostamos, coisas que não podemos ver, coisas de que precisamos, coisas dispensáveis ... "Coisas". Uma pessoa dita "normal" definirá "coisas" como materiais, um computador, um livro, uma flor... Há gente que chega ao exagero de incluir pessoas nesta mesma definição - É para vermos o quão unidos somos - e por existir tanta diversidade na definição deste conceito, carinhosamente rotulamos "coisa" como uma "palavra abstracta".

Mas não esqueçamos: uma "coisa" é algo que podemos palpar. Uma "coisa" é algo que tem características próprias, é físico, e é isso que gera tanta dificuldade na explicação exacta do que "coisa" realmente é.

Mas para dizermos, explicarmos ou descrevermos seja o que for, utilizamos sempre um determinado código (seja ele gestual, visual, auditivo ou as três coisas em comum), código esse que nos remete sempre para o que melhor define o que pretendemos comunicar: Palavras.

"Palavra". O que é palavra?

Subversivamente, não fossem ignorar minha (supostamente) tão inocente pergunta ou rotular-me de "idiota" por perguntar algo que é tão básico que deveria saber desde sempre, decidi fazer uma pesquisa (a internet, quando fazemos bom uso dela, acaba por se mostrar uma excelente confidente de perguntas infantis - Pergunto-lhe tudo. É uma "coisa" boa.) para tentar entender o que realmente "palavra" é. A rede devolveu-me isto:

"Uma palavra é uma unidade da linguagem falada ou escrita. As palavras podem ser combinadas para criar frases."

Não me esclareceu, isto é o óbvio que até pequenitos entendem. Provavelmente achou que eu já deveria saber, ou que era demasiado pequena para entender... Mas não desisto!

"Palavra é um conjunto de morfemas"

"Morfemas"? Uma dúvida para pôr a alguém entendido em Gramática.

"No entanto, não é fácil definir o conceito de palavra"

Por fim, algo esclarecedor! Então vem me a parecer que a rede e eu temos a mesma opinião (logo penso que o comum dos humanos que sabe muito destas coisas também terá)!

Pois é, olhando para o que realmente "palavras" são, a definição mais próxima que me aparece é: Um código. Código esse cuja única função é comunicar.

Embora existam diversas formas de utilizar as palavras nunca poderemos realmente defini-las pelas suas diferentes características. Por muito que nos digam, por muito que signifiquem, nunca terão cheiro, nunca terão cor, nunca terão textura ... e se o tiverem será sempre devido a uma coisa que as torna visiveis.

"Palavras" e "Coisas" dois conceitos tão distantes ... Mas tão necessárias uma à outra.

Vou tentar viver um dia em busca do seu verdadeiro significado (só porque não me tinha lembrado disto até agora...) e depois conto-vos a minha aventura.

"Palavras" e "Coisas", poderemos viver sem elas?

publicado por mafaa às 22:09
música: Moving - Macaco

21
Fev 10

 "Todos aspiramos ser felizes. A felicidade depende das circunstâncias de cada um, das oportunidades de  vida mas, também, de uma atitude interior."

 

Todos nós, humanos, tomamos a felicidade como o grande objectivo da nossa existência.

Todos queremos uma boa profissão que nos recompense com uma agradável quantia de dinheiro e nos ofereça uma óptima qualidade de vida porque isso nos faz felizes; Todos queremos uma família unida, bem constituída e sem problemas porque isso nos faz felizes; Combatemos doenças e problemas por serem entraves à nossa felicidade ... E por aí continuaríamos numa infinidade de factos, motivos e crenças, tocando em tudo o que mais desejamos, que resumiriam a nossa existência à busca da felicidade.

Como seres pensantes, reflectimos e reconhecemos que isto que tanto procuramos nem sempre é fácil de atingir. Nem todos vivemos  num ambiente familiar (e de trabalho) estável, nem todos nascemos totalmente saudáveis ... Existem obstáculos que marcam a nossa procura da felicidade desde o primeiro dia que respiramos e outros que nos vão marcando a vida por erros que cometemos ou que outros cometeram por nós. Muitos, devido a esses obstáculos de diversos tamanhos e feitios, são capazes de desistir da principal razão da sua existência, encolher os ombros, baixar os braços, dedicar-se a uma vida monótona com essência de coisa nenhuma e resumir a sua passagem pelo planeta à poluição que a sua existência gerou.

Mas felizmente nem todos pensam assim.

Ainda há alguns (eu acredito que sejam mais que os desistentes) que correm todos os dias contra esses obstáculos, liquidando-os, ultrapassando-os com a sua própria força de vontade. Esses, bem espertos, fazem da sua vida uma verdadeira prova de "200 metros barreiras", correndo, saltando, esforçando-se constantemente para alcançar a meta que os espera: A felicidade.

Mas eu pergunto-me, também: Não será esse mesmo caminho uma parte daquilo que procuramos ?

Dessa forma, pensemos então e reconheçamos que, para conseguirmos atingir os nossos objectivos, não nos podemos render às circunstâncias do mundo que nos rodeia nem às oportunidades de vida que vamos tendo: Isso só NÃO CHEGA. Há que ter uma atitude interior positiva. Há que desejar, há que lutar por aquilo de que gostamos. Há que saltar os muros das nossas próprias limitações !

E, como diz a minha grande amiga: As circunstâncias criam-se, as oportunidades aproveitam-se ... A vida e a felicidade somos nós que as vivemos, somos nós que as temos de fazer

publicado por mafaa às 12:36
sinto-me:
música: Love will come through - Travis

20
Fev 10

Talvez a criação de um blog tenha sido exagerada, porém, sinto-me como a maior parte das pessoas com a minha idade: Por aqui e por ali, por tudo e mais alguma coisa, queremos mostrar as nossas opiniões e ter uma influente presença na vida daqueles que (des)conhecemos - Sim, esse é o grande impulso da internet e do mundo virtual em que nos encaixamos hoje.

Mesmo assim, considero me diferente do comum dos mortais: Não quero fazer disto diário algum ou deixar mensagens de duas linhas que pouco ou nada servem (tirando para "entulhar" os pobres dos servidores que, (ainda) gratuitamente nos deixam usar um pouco do seu cérebro sintético), mas quero tornar esta página num local onde uma "crianca" como eu pode deixar a sua impotente opinião sobre o grande e questionável mundo dos adultos enquanto deixo um acheguinho mais ou menos simpático sobre aquilo que mais me interessa.

E sabe-se lá se um dia isto ainda não chegará aos ouvidos de muita gente !

Diz o Skip (e eu acredito nele): O Futuro é dos PEQUENINOS !

publicado por mafaa às 13:23
música: Ponto de Luz - Sara Tavares

The art of Seeing é parte dos blogs de interesse de misspiafashion.blogs.sapo.pt. Obrigada pelo reconhecimento :D
Julho 2010
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9
10

11
12
13
14
15
16
17

18
19
20
21
22
23
24

25
26
27
29
30
31


A MUST SEE_IT
Para viajantes aborrecidos: http://conversasdeautocarro.blogs.sapo.pt
arquivos
mais sobre mim
pesquisar
 
Cautela, que ninguém ouça
O segredo que te digo:
Dou-te um coração de louça
Porque o meu anda contigo


José Saramago, aos seus 18 anos
blogs SAPO